Agir naturalmente.

Olhando umas fotos antigas, eu me deparei com um questionamento pertinente devido a um pensamento frequente que tive.

“Puts, eu gostaria de ter curtido muito mais” foi o pensamento. Tentei desconstuir ele por uma boa meia hora. Pensei, pensei, pensei. Depois de uns bons quarenta minutos tendo crises de ansiedade por não estar chegando a lugar nenhum, obtive um estalo bem claro na minha cabeça. “Eu tentei agir naturalmente em todas essas ocasiões”.

Esse teria sido meu erro.

Pairei por mais alguns momentos da minha vida nos quais eu queria ter aproveitado mais. Por segundos, eu tive uma visão do todo. Tinha tanto medo e receios ali em mim. Medo de não me encaixar e receio de ser julgada por falhar no ato. Eu queria tanto fazer parte de um coletivo que abdiquei de experiências e vivências que dificilmente eu conseguirei resgatar. Hoje eu vejo que fiz isso por pura tolice. Quem me dera ter me dedicado mais ao momento e ao repertório. Eu poderia sim ter gritado mais alto, ter escalado mais 10cm da montanha ou ter dormido 3hrs mais tarde para conseguir ir a outro museu. Eu poderia sim ter querido com mais vontade, ter desejado com o figa nas mãos mais apertado, ter desejado com mais força.

E mesmo assim, eu agradeço. Agradeço por essa reflexão e por não ter vivido o que eu queria ter. Essa junção do que eu fiz e deixei de fazer foi o que me formaram e me deixou, claramente, mais crítica. Eu sou um reflexo de tudo o que vivi e, também, de tudo o que eu não vivi. A falta me fez assim, o que tinha de ser preenchido foi tomado por experiências cheias de amor, nas quais eu cultivo com todo o carinho que sou.

O que me resta (ainda bem!) é olhar para o futuro com carinho e não me prender aos “atos naturais”. A desejar as coisas com mais vontade, a viver com menos medo e não ter tempo pra errar. Talvez o que eu queira dizer é que a vida é longa e curta. Longa, todos nós já somos viciados nesse disco do porquê, mas ela só é longa se tivemos a consciência de que ela é muito curta pra se preocupar demais com o que pessoas vão pensar.

A vida é sua, só sua e ninguém vai vivê-la além de você.

Não se preocupem,

Rafaela Borges.

 

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