*Não existe vitórinha ou vitóriona. A intensidade é a mesma, basta você querer ver.

O sentimento de inteiro é muito mais inteiro quando você contabiliza apenas vitórias*.

Eu sempre tive essa necessidade louca de me sentir completa o tempo inteiro. Nunca entendi muito bem de onde essa querência vinha, mas era importante eu sempre estar com o coração cheio – mesmo que fosse cheio de coisas ruins e que me deixavam mal. Essa sensação de “estar mal”, muito mais fácil de ser atingida, fazia meu coração pulsar. O sentir sempre foi uma necessidade-quase-que-obrigação, algo que eu me cobrava o tempo inteiro. Se as coisas estavam blasé, eu me autosabotava, sempre arrumava um jeito de me colocar em uma posição que doía, que sangrava. Mas, de um jeito esquisito – e escrevendo isso eu percebo que talvez isso fosse um tanto psicopata e doentio da minha parte -, eu me sentia feliz.

Esse sentimento preenchia o meu coração quase que inteiro e fazia as pontas dos meus dedos formigarem. A ponta do meu nariz ficava quentinha. Fazia minhas pernas tremerem e a visão ficar turva. Mas nunca era completo, nunca era o suficiente. Me olhando no espelho, vejo a quantidade de cicatrizes que ficou em mim.

Mas eu mudei.

Eu aprendi que vitórias te preenchem por inteiro, pra sempre. Quando você opta por sofrer, querendo ou não, a sensação passa – porque na vida, todos os clichés se concretizam, inclusive aquele que diz que tudo passa. Eu aprendi que buscar por coisas que preenchem seu coração de alegria, conquista e serenidade estão acima de qualquer sensação mundana, porque elas vem de algo muito maior. Essa sensação preenche por dentro, faz os dedos dos pés formigarem e o coração bater tão forte que transborda pelos olhos. Essa sensação absurda de felicidade faz a boca demonstrar no mais singelo sorriso e os braços se transformam em duas grandes máquinas de amor e aceitação – que se concretizam em uma sensação gostosa dentro de abraços. Gera empatia. Gera paz. Gera aquela respiração longa de que tudo está bem, sabe? Continue lendo

Pai e mãe fica dentro da gente.

São dez da noite. Dez e uns quebrados, talvez dois quebrados e meio. Coloquei um cover calmo de uma música famosa na qual eu nunca nem arrisquei a escutar a original para não quebrar a magia. Desembaracei meu cabelo emaranhado de um banho gelado, coloquei um pijama larguinho que não me desse muito trabalho. E parei aqui.

Um misto de adrenalina, cansaço e certeza invade meu corpo. Invade-me na sua forma mais súbita e dominadora, sem nenhuma condição possível de dominação. É uma sensação fabulosa aos olhares mais céticos, então respirem fundo e tentem entender. É uma sensação que não dá para se olhar sentindo, tem que escutar com o coração.

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Escapismo em sua forma literária

Para uma guria que veio do interior com seus 14 anos de idade, nascida da literatura de Monteiro Lobato com uma mistura excêntrica de versículos longos da Bíblia na tradução de Almeida Antiga, a escrita sempre teve um “quê” de importância na minha vida. Enquanto enfrentava a cidade grande com o coração na mão e toda a coragem que eu tinha estampada no meu rosto, eu escondia diários que contavam a não tão doce verdade sobre a Capital e que, também, diriam a maravilhosa verdade sobre o Mundo. Diários que hoje me transformariam em uma super heroína se houvesse uma fusão da Marvel com a DC ou talvez uma personagem de um pseudo-crossover de Amy-Sherman Palladino e Shonda Rhimes – que ironia!.

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Agir naturalmente.

Olhando umas fotos antigas, eu me deparei com um questionamento pertinente devido a um pensamento frequente que tive.

“Puts, eu gostaria de ter curtido muito mais” foi o pensamento. Tentei desconstuir ele por uma boa meia hora. Pensei, pensei, pensei. Depois de uns bons quarenta minutos tendo crises de ansiedade por não estar chegando a lugar nenhum, obtive um estalo bem claro na minha cabeça. “Eu tentei agir naturalmente em todas essas ocasiões”.

Esse teria sido meu erro.

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O interior de mim.

Eu moro em São Paulo faz alguns anos e eu sempre me perguntei o porquê chamar as cidades pequenas que ficam fora da área da capital de interior.

Após anos de grande dúvida e muita terapia, eu comecei a entender que a capital que eu morava me deixava louca, não me dava espaço, tempo e amor. Sessões nas quais eu passava uma hora e meia falando e tagarelando o porquê eu ainda estar ali e morar naquele lugar que me deixava insanamente pirada, que não me agradava quando eu sentava para refletir o rumo de que minha vida estava tomando e quando voltava pra casa pensando no quanto eu cresci ali, o quanto aquilo me fazia feliz e, ao mesmo tempo, vazia.

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Porque conquistar um cafa é perda de tempo!

CAFA1

(Essa é a minha resposta para esse post aqui. Ou nem tanto.)

Fugir dessa raça é a melhor coisa que você fará da sua vida. Os cafajestes são definidos como homens que enganam e tem como antônimo “bom-partido”. Ou também pode ser aquele que não se importa com os sentimentos alheios, um explorador que abusa do dinheiro e do sentimento das mulheres, um mentiroso, um falso, um chantagista. Um homem de várias mulheres que faz de tudo para ficar de bem com todas elas e, principalmente, usando da lábia para iludir.

Eu não acho que seja uma carência crônica, ou algo parecido. Nós somos seres feitos de amor, tanto para dar como recebê-lo, e os diferentes corpos na cama de um cafa não dizem isso. Eles só re-afirmam o desespero e instabilidade emocional, atrelada com a pouca vergonha e a utilização da beleza, forma física, lábia e um pouco de inteligência.

Ser cafajeste, galinha, piranhudo, ordinário, etc é um estilo de vida, uma escolha. Eu sempre defendi o poder das escolhas e continuarei defendendo, ou seja, a partir do momento que você escolheu se deitar/”pegar” mais de uma garota, você assinou um termo de responsabilidade que dizia: a partir de agora, você é oficialmente um cafajeste – e cá entre nós meninas, é um sinônimo para pura idiotice.

Não deixando aquele puro mito de babaquice masculina de quanto mais, melhor. Eu sempre tive muitos amigos homens e sempre foi aquela grande história de número vs qualidade. Em certas rodinhas de amigos, uns prezavam pela qualidade, então havia aquela certa disputa para quem pegava a Gisele Bünchen daquela noite, mas também tinha a rodinha que prezava o número, poderia pegar 50 meninas, se fosse só pra usar – ação que, repito aqui, eu nunca fui a favor.

“Mas as ações acima, Rafaela, são coisas de criança, somos adultos”. Traduzido para: hora de pegar garotas para simplesmente saciar o ego e o desejo, para matar o tesão. Pura balela. Isso é apenas insegurança, medo de conseguir uma menina boa o suficiente, medo de ter que se abrir emocionalmente, se deixar vulnerável.

O maior motivo que temos para fugir dos cafajestes é a insegurança. Para que eu vou ficar querendo correr atrás, mandando mensagem, gastando todo o meu tempo com alguém que não vale nem dois reais? Que provavelmente já beijou mais bocas do que dias em que vivi? Qual o sentido disso? “Ah, mas titia Rafaela, e se eu for apaixonada por ele?” por favor! Você ainda sente algo por aquele menininho que jurava que amava há dois anos atrás? Você ainda ama todas as pessoas que um dia jurou amar? Estar apaixonado é apenas um estado de espírito e, com certeza, você seja mais apaixonada pela idealização de uma pessoa do que por ela. Deffo! Eu quero relações sólidas para a minha vida!

E nem todo cafajeste é igual. Tem o cafa que não mente, esperando que as pessoas lidem bem com isso. Então você mente que está bem. Mente que não tem problema ele usar e abusar de sua lábia para deixar seu rastro e traçar todas as suas amigas. Mas fique tranquila, ele não fala isso o que te fala para todas as suas vítimas – ele muda conforme o ritmo da dança. E ele sabe dançar diferentes ritmos.

Se você realmente quiser conquistar um cafajeste: não. E entenda por quê.

1) Ele não vai mudar por sua causa.

Um relacionamento é uma via de duas mãos, totalmente simétrica e espelhada. Tudo o que passa de um lado, no outro também acontece. Essa metáfora pode abranger duas coisas ao mesmo tempo: todas as suas ações dentro de um relacionamento terão uma reação com o relacionado e tudo o que existe dentro desse mesmo relacionamento é uma troca. A partir do momento que você deixa de fazer coisa x, você espera uma troca na mesma altura. Mas isso nunca vai acontecer.

Tirando que, né, “eu vou te colocar na linha” jamais existiu no vocabulário deles. Nenhuma menina que tentou, voltou ilesa. Seria como procurar a cura para algo incurável, você talvez ache algum remédio que desacelere os efeitos ou apenas melhore alguns sintomas. Jamais a cura completa. Não se iluda.

2) Ele.

Ele não vai mentir quando falar que gosta de você, mas também não é só de você. Enquanto ele te ama, ele deseja uma e sente por qualquer outra. Isso tudo ao mesmo tempo, mas também se sentem carentes, inseguros e defasados de um sentimento de afeto, por isso todas as suas ironias e sarcasmos serão avaliadas por ele como meios de te levar a sério ou não. Ninguém merece, né!? Além de brincar com sentimentos eles querem que nós não brinquemos com os deles.

3) Condições.

Meninas, entendam uma coisa aqui, bem importante: homens como esses lidam com coisas superficiais. Se você é bonita, inteligente e sexy, tem outras por aí com essa qualidade também. Ele vai lidar com as suas, até então, só suas qualidades como lida com as meninas que pensam que nem você ou tem ações parecidas. Ele nunca vai aprofundar por todo o seu psicológico e vai querer que você mostre quem você realmente é no beijo, no sexo ou na companhia – isso inclui os amigos dele, porque óbvio: se você é só um objeto para a sua coleção, porque não expor para os amigos?

“Nossa, Rafaela, mas ele aceitou as minhas condições”. Cai fora que é cilada, sério! Um homem cafa para aceitar essas condições tem que ser um, acima de tudo, mentiroso de primeira. Porque tem que levar a sustentação de um “relacionamento” com você e seus 40 outros beijos.

4) Monogamia não é o forte dele.

Mesmo que você tenha sido o melhor beijo, o melhor sexo com direito a pulsação forte e sentir borboletas no estômago, como ele vai saber se ele só sente isso com você? Meninas, não se enganem. Não importa o quão tenha sido mágico, fofo, lindo, mil amores. Não importa se ele disse tudo o que ele disse na hora H, se ele te beijou de um modo diferente, se ele te olhou nos olhos. Não.

Nada disso vai impedir que ele pegue várias e esteja na companhia de outras mulheres. Isso não impede que, quando você se levantar da mesa do restaurante para ir no banheiro, ele mande mensagem para a guria y. Que ele marque outros encontros. Que ele diga isso para a menina que ele vai buscar quando te deixar em casa.

Não estou falando que ele despreze totalmente a sua companhia e te veja só para sexo, não. Ele vai compartilhar momentos bons, risadas, intimidades. Mas saiba: você só faz parte de um tripé – ou quantos pés/outras tiver – emocional. Você dará sustentação a uma insegurança, a uma armadilha emocional. A um relacionamento que não terá nada a frente – ou demorará muito, pois utilizará cada encontro que tiver com você para te avaliar. Avaliar. Ah.

5) Ele raramente baterá no peito e dirá: “eu sou cafa mesmo”.

Eu não defendo que você só pode sair com uma pessoa a sua vida inteira, mas também não precisa exagerar. Eu defendo que: eu saio com quem eu quiser, quando eu quiser. “Nossa, Rafa, larga de ser uma contradição ambulante”. Não, não é isso. Eu saio com um menino x e esse encontro não dá certo, eu vou esperar por outra pessoa, conhecer novos rapazes. Mas um cafa não é assim, ele se utilizará da lábia para ter você como ele quer ter e, provavelmente, mentirá a respeito, trairá e todos os afins que acompanham isso.

Explicando melhor: cafajestes não conhecem o termo “uma de cada vez”. Ele quer todas ao mesmo tempo. Quer sair com todo mundo que lhe interesse, sem discriminações e dão em cima mesmo que ela tenha um namorado – vai que um dia termina, não é mesmo!? Quero tudo agora e tudo sempre.

Eu não tenho uma maneira exata de encerrar esse texto. Eu poderia falar para vocês que querer conquistar um cafa é totalmente perda de tempo, porque realmente é. Se tornar vítima de um relacionamento abusivo – a palavra pode assustar, mas pesquisem a respeito -, e, consequentemente, se machucar.

O que eu quero dizer é: é estar em um relacionamento onde reina a instabilidade emocional. Qual a dificuldade de achar alguém que cumpra todos os seus pré requisitos? Que faça o coração bater mais rápido?

Eu acredito que todo mundo tem o seu “par perfeito” aqui na terra, mesmo que momentâneo.

E vocês?

FUNDO TRANSPARENTE

Medos

Ter medos é algo saudável, já dizia Rafaela.

Mas pera, vamos adicionar equilíbrio/bom senso ao medo. Agora ele é completamente saudável.

Vou exemplificar bem: o medo é uma das maiores defesas que o psicológico humano pode nos oferecer. Com o medo, temos um instinto de sobrevivência maior, atrelado a precaução, que resulta em prever e tentar medir as ações antes de feitas.

Mas, m-a-s, M A S: não perder oportunidades por puro medo de dar errado, ou até medo do fracasso, é pura burrice. Ao mesmo tempo que o medo é algo completamente saudável, é um dos seus piores inimigos, uma patologia. Não se prenda por medo, se permita sempre!

Ele também tem fases. A fase boa. E depois que ela passa, tudo começa a ficar ruim. Medo demais é ruim. Nunca tenha medo de tentar e nunca se culpe se der errado. O bom do erro é que ele ensina, enquanto o medo te protege. Tem coisa melhor?

O melhor medo do mundo é o medo de não ter aproveitado o suficiente, assim, te fará aproveitar mais. E o pior é o de não ter aproveitado enquanto podia. E nenhum coração jamais sofreu quando foi atrás dos seus sonhos.

Aproveite ao máximo.

Coragem,

FUNDO TRANSPARENTE

Vocação blogueira

Algumas pessoas me pediram de volta. Disseram que sentiram falta nesse tempo e teve até post na minha página do Facebook (mesmo sendo da minha avó, é super válido) reclamando de toda essa ausência, mas não foi de todo o mal, juro.

Eu tirei esses quase 6 meses para me focar em algo que resultou em coisas maravilhosas em minha vida. Eu passei os últimos seis meses confiscada em um ambiente não-escolar – mesmo eu me sentindo todos os dias lidando com as mesmas crianças (ainda escreverei sobre) – e que me proporcionou uma vaga em uma boa Universidade. Estou oficialmente ingressada na Belas Artes, aqui em São Paulo, no curso de Publicidade e Propaganda.

Esse curso pré vestibular me tirou o sono por várias noites a fio e desafiou todas as células de paciência que existem em mim. Treinei o meu humor, a minha flexibilidade emocional e desafiei tudo o que tenho no meu corpo a aguentar uma maratona de instabilidade (também emocional) que gerou muito stress físico. Mas tudo deu certo.

Apesar de todos os pesares, eu voltei. Com uma mentalidade completamente renovada e com vontade de levar esse blog adiante. Mostrar meu dia-a-dia para vocês, incluindo a minha ainda não iniciada faculdade e todo o meu bom humor. Estarei aqui também para criticar e aconselhar cada um de vocês, para tudo o que precisarem.

Caso queiram um tipo de post específico, é só me pedir. Se estiver dentro da minha capacidade escritora e física, terei o maior prazer do mundo em realizá-lo. E é claro que voltarei com a TAG que é a minha preferida: #TestDriveDoPoxa, onde irei a lugares, como restaurantes e baladas, e direi a minha experiência pra vocês 🙂

Mas enfim, tô de volta!

Beijos e cheiros,

FUNDO TRANSPARENTE