*Não existe vitórinha ou vitóriona. A intensidade é a mesma, basta você querer ver.

O sentimento de inteiro é muito mais inteiro quando você contabiliza apenas vitórias*.

Eu sempre tive essa necessidade louca de me sentir completa o tempo inteiro. Nunca entendi muito bem de onde essa querência vinha, mas era importante eu sempre estar com o coração cheio – mesmo que fosse cheio de coisas ruins e que me deixavam mal. Essa sensação de “estar mal”, muito mais fácil de ser atingida, fazia meu coração pulsar. O sentir sempre foi uma necessidade-quase-que-obrigação, algo que eu me cobrava o tempo inteiro. Se as coisas estavam blasé, eu me autosabotava, sempre arrumava um jeito de me colocar em uma posição que doía, que sangrava. Mas, de um jeito esquisito – e escrevendo isso eu percebo que talvez isso fosse um tanto psicopata e doentio da minha parte -, eu me sentia feliz.

Esse sentimento preenchia o meu coração quase que inteiro e fazia as pontas dos meus dedos formigarem. A ponta do meu nariz ficava quentinha. Fazia minhas pernas tremerem e a visão ficar turva. Mas nunca era completo, nunca era o suficiente. Me olhando no espelho, vejo a quantidade de cicatrizes que ficou em mim.

Mas eu mudei.

Eu aprendi que vitórias te preenchem por inteiro, pra sempre. Quando você opta por sofrer, querendo ou não, a sensação passa – porque na vida, todos os clichés se concretizam, inclusive aquele que diz que tudo passa. Eu aprendi que buscar por coisas que preenchem seu coração de alegria, conquista e serenidade estão acima de qualquer sensação mundana, porque elas vem de algo muito maior. Essa sensação preenche por dentro, faz os dedos dos pés formigarem e o coração bater tão forte que transborda pelos olhos. Essa sensação absurda de felicidade faz a boca demonstrar no mais singelo sorriso e os braços se transformam em duas grandes máquinas de amor e aceitação – que se concretizam em uma sensação gostosa dentro de abraços. Gera empatia. Gera paz. Gera aquela respiração longa de que tudo está bem, sabe? Continue lendo

Escapismo em sua forma literária

Para uma guria que veio do interior com seus 14 anos de idade, nascida da literatura de Monteiro Lobato com uma mistura excêntrica de versículos longos da Bíblia na tradução de Almeida Antiga, a escrita sempre teve um “quê” de importância na minha vida. Enquanto enfrentava a cidade grande com o coração na mão e toda a coragem que eu tinha estampada no meu rosto, eu escondia diários que contavam a não tão doce verdade sobre a Capital e que, também, diriam a maravilhosa verdade sobre o Mundo. Diários que hoje me transformariam em uma super heroína se houvesse uma fusão da Marvel com a DC ou talvez uma personagem de um pseudo-crossover de Amy-Sherman Palladino e Shonda Rhimes – que ironia!.

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Agir naturalmente.

Olhando umas fotos antigas, eu me deparei com um questionamento pertinente devido a um pensamento frequente que tive.

“Puts, eu gostaria de ter curtido muito mais” foi o pensamento. Tentei desconstuir ele por uma boa meia hora. Pensei, pensei, pensei. Depois de uns bons quarenta minutos tendo crises de ansiedade por não estar chegando a lugar nenhum, obtive um estalo bem claro na minha cabeça. “Eu tentei agir naturalmente em todas essas ocasiões”.

Esse teria sido meu erro.

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O interior de mim.

Eu moro em São Paulo faz alguns anos e eu sempre me perguntei o porquê chamar as cidades pequenas que ficam fora da área da capital de interior.

Após anos de grande dúvida e muita terapia, eu comecei a entender que a capital que eu morava me deixava louca, não me dava espaço, tempo e amor. Sessões nas quais eu passava uma hora e meia falando e tagarelando o porquê eu ainda estar ali e morar naquele lugar que me deixava insanamente pirada, que não me agradava quando eu sentava para refletir o rumo de que minha vida estava tomando e quando voltava pra casa pensando no quanto eu cresci ali, o quanto aquilo me fazia feliz e, ao mesmo tempo, vazia.

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Medos

Ter medos é algo saudável, já dizia Rafaela.

Mas pera, vamos adicionar equilíbrio/bom senso ao medo. Agora ele é completamente saudável.

Vou exemplificar bem: o medo é uma das maiores defesas que o psicológico humano pode nos oferecer. Com o medo, temos um instinto de sobrevivência maior, atrelado a precaução, que resulta em prever e tentar medir as ações antes de feitas.

Mas, m-a-s, M A S: não perder oportunidades por puro medo de dar errado, ou até medo do fracasso, é pura burrice. Ao mesmo tempo que o medo é algo completamente saudável, é um dos seus piores inimigos, uma patologia. Não se prenda por medo, se permita sempre!

Ele também tem fases. A fase boa. E depois que ela passa, tudo começa a ficar ruim. Medo demais é ruim. Nunca tenha medo de tentar e nunca se culpe se der errado. O bom do erro é que ele ensina, enquanto o medo te protege. Tem coisa melhor?

O melhor medo do mundo é o medo de não ter aproveitado o suficiente, assim, te fará aproveitar mais. E o pior é o de não ter aproveitado enquanto podia. E nenhum coração jamais sofreu quando foi atrás dos seus sonhos.

Aproveite ao máximo.

Coragem,

FUNDO TRANSPARENTE